quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Divagações sobre expressão, sensibilidade e a bailarina dentro de nós...




“todo mundo pode aprender a cozinhar,
mas nem todo mundo pode ser chef de cozinha”
(Ratatoullie)


Em todos estes anos lecionando, acredito que os maiores desafios como professora são os temas: musicalidade e expressão. Pois, acho que a técnica pode vir com o tempo, treino e dedicação, agora a musicalidade e expressão são coisas que vem de dentro da bailarina, de sua sensibilidade.

Todas as mulheres são sensíveis? Acredito que sim. Temos uma sensibilidade ímpar, um sexto sentido que, quando bem usado, faz milagres!
Por isso acredito que uma dança completa, vem também com o amadurecimento da mulher, a dona do corpo e da alma, e não só da bailarina que executa movimentos.

Quando buscamos o sentimento envolvido quando ouvimos um violino, um alaúde ou um derbacke bem tocado... nessas horas, estamos acionando nossa sensibilidade musical, um sentimento que vem da nossa vivência, nossa história, que só nós sabemos contar. Um amor perdido, uma saudade, uma alegria, como estamos por dentro, o que queremos e podemos externalizar.

Na prática, como professora, inicio este trabalho com as turmas do Intermediário. Peço às alunas que escolham uma música para apresentar em sala de aula, oriento para que elas escolham uma música que “faça tum-tum-tum no coração”, ou seja, que faça sentido para ela de alguma forma. Desta forma, posso trabalhar um pouco mais a questão da expressão do ponto de vista de algo que vem de dentro para fora.

Em minha opinião, musicalidade e expressão andam juntas. Como bailarina, sinto que é o “tato” com a música que vai me trazer a história que devo contar em cena. É algo que, para nós bailarinas é inerente quando dançamos aquela música que amamos e, por que não dizer, aquela cara automática quando dançamos algo quem nem faz tanto nossa cabeça, algumas músicas ou estilos “obrigatórios” em shows (com certeza você que está lendo tem uma listinha, não é?), enfim, impossível gostar de tudo.

Com as alunas, é um trabalho mais árduo, mas gratificante. É sair da bolha do “recorta-cola”, ou seja, cutucar as alunas a refletirem sobre elas mesmas, seu estilo, suas preferências e não apenas o que a professora faz, o que a professora manda, a música que a professora escolhe. Claro que, no início, o processo de imitação é válido, pois a aluna precisa/busca uma referência e UMA delas é a professora (eu disse UMA delas). Mas, com o passar das aulas e dos estudos, a meu ver, a dança é um processo pessoal. Isso dá muito trabalho, muito trabalho mesmo. Pois, dentro de um curso de dança, incitar as alunas a pensarem é algo mais complicado. Pensar significa olhar para dentro e nem todas estão prontas ou dispostas a tanto. Olhar para dentro é verificar as diversas facetas que a mulher tem dentro dela, ora “fadinha”, ora leoa, ora mulher, ora menina.

Acredito que esta reflexão acerca sobre o gosto pessoal, valores e auto-análise tem tudo a ver com a dança. Tem a ver com quem somos no palco. Acredito que, quanto mais a mulher se conhece, se posiciona no Mundo, mais sua dança amadurece também. Quer testar? Procure por um brilho nos olhos de uma bailarina. Será que vai achar nos olhos de todas?

Enfim, são divagações... e vc? o que acha?

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Mulher de Fases