terça-feira, 24 de novembro de 2009

Quando minha alma se abriu por inteiro....



Bem, dias 14 e 15 de novembro, aconteceu o Festival Interamericano de Danças Árabes, em Bauru, realizado pela Márcia Nuriah.

Desde 2006 eu "paquerava" este evento, nunca dava certo de eu ir, muito menos de levar alunas. E o pior é que eu já tinha encerrado minha carreira em concursos como solista. Mas aquele palco sempre me chamava.
Daí eu decidi, sem contar nada para ninguém (nem para as alunas) que eu iria dançar sim. Mas, queria dançar algo diferente. Gostaria muito de apresentar algo me falasse ao coração e que eu conseguisse realmente extravasar a minha "alma bailarina", coisa difícil quando se vive de dança, sempre tendo que agradar os outros, ser comercial.

Fui neste espírito. Não pensava em competição. Graças a Deus, todas minhas alunas já tinham dançado, daí pude prestar atenção apenas em mim e entrar no personagem que eu queria: da bailarina sozinha, dançando sozinha em um teatro todo apagado, somente com a iluminação do palco. Fiquei uma hora em silêncio, me maquiando (encontrei um lugar super escondido) pensando na música, em minha vida, sobre o significado que a Dança tinha para mim. Pensei em minhas escolhas, minhas alegrias e minhas decepções. Pessoas que estavam comigo, outras que ficaram para trás, outras esquecidas, outras que nunca vou esquecer.

Fui lá e dancei. Sentia minha pele se arrepiar várias vezes durante a apresentação, tudo que eu trabalhei mentalmente, aflorou e senti vontade de chorar quando terminei. Sim, dancei Bandolins para uma platéia de Dança do Ventre, quis dar o meu recado, que, nem sempre quando uma bailarina brasileira dança MPB significa que ela vai dançar samba (nada contra gente, só não é minha praia...). Que a bailarina é sensível sim, que não precisa "abrir o sorriso automático" e sair fazendo o "passo do momento".

Lavei minha alma. Feliz. Consegui ser eu de verdade.

Eu realmente não estava preocupada com a competição. Aliás, eu sabia que poderia ser até uma auto-sabotagem, pois, dançar uma música brasileira cantada para um juri argentino, era pedir para ser incompreendida. Mas, eu não estava preocupada com isso.

Fiquei feliz com o retorno de várias pessoas, em relação à emoção que tinham sentido. Eu consegui mesmo passar o meu recado, todo mundo entendeu. Inclusive o juri, em sua avaliação, isso pra mim foi um bônus, mais uma lição que a dança não tem fronteiras.

Este não é um post de marketing pessoal. Só quero compartilhar a emoção que senti, em um momento que tudo na DV parece tão artificial, tão montado, tão falso. Gostaria que todas sentissem o que eu senti, que encontrassem ou reencontrassem a bailarina que existe em cada uma nós, independente do figurino, de sua forma física, da altura do seu arabesk e, principalmente, do que acham de você ou do seu trabalho.

Apostem em sua verdade.

Simplesmente, dancem com o coração.

Um comentário:

  1. escolha perfeita... já dancei dv com Bandolins e essa musica é inspiradora demais!
    Parabens pela conquista, linda!

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Mulher de Fases