quarta-feira, 3 de março de 2010

A dança do ventre e seu métodos

Volta e meia, aqui na escola me perguntam: quanto tempo dura cada módulo do curso? Respondo de um jeito que umas gostam, outras detestam: DEPENDE...

Mas, depende do quê???? A meu ver, depende DO QUE e DE QUEM. Depende do método que a aluna escolhe para aprender, do estilo da professora ou da escola que escolheu pra chamar de seu. E Depende DA ALUNA, seu talento, seu dom, seus ensaios (só aula não faz bailarina nenhuma não!!) nesse caldeirão, entra até a genética de cada uma!!!

Sobre os métodos, devemos nos ater ao fato de que a Dança do Ventre, dentro dos catálogos da Dança, é uma dança popular e uma dança de apresentação. Então, ela não segue padrões rígidos de ensino, pois ela se transforma a cada época e dentro de cada cultura. Por isso é tão difícil que seja algo mais linear como no Ballet Clássico. Só isso já explica porque temos tantos métodos diferentes de ensino e de dança. Infelizmente, isso também explica porque tem tanta gente que fez 02 anos de aula e já se acha “a professora” – mas isso já é papo para outro tópico.... De qualquer forma, a Dança do Ventre não tem uma regularização, o temos que fazer é “correr por fora”, tirar DRT e ir aprimorando o nosso curriculum, isso sim, é nosso e ninguém tasca!!!

Uma menina veio pedir informações sobre aula e me perguntou: “mas.. você tem certificado?” Eu fiquei sem saber do que ela estava falando.. será que ela achou que existia uma Faculdade de Dança do Ventre? De qualquer forma, falei do meu curriculum e da minha experiência – fazer o quê, eu simplesmente DETESTO me auto-apresentar.

Como seria uma Faculdade de Dança do Ventre? Aqui em São Paulo, não sei não, ia ser uma briga boa, um monte de gente falando que o seu é que ta certo... afeee....

Bem, de qualquer forma, procuro montar minhas aulas, separo por nível, mas não me dou muito bem com estruturas “quadradas”, pois, por mais que eu monte a aula, eu sempre mudo alguma coisa, pois, quem diz pra onde vai a coisa é a dinâmica da aula e suas participantes. Tem aluna que precisa ficar mais tempo naquele Módulo e eu deixo muito claro isso pra ela, conversando, provando por A+B (via avaliações em sala) que ela tem que ficar mais um pouco pra que possa acompanhar o módulo seguinte com maior aproveitamento.

Infelizmente, tem menina que não entende. Que prefere sair com X certificados, num prazo Y. Que não interessa se está dançando bem ou não, o que quer é passar de módulo, como se isso fosse um status. Aluna assim nem fica comigo, fazer o quê, né?

Pra mim, status é ser uma aluna tranqüila, que aprende dentro do seu tempo, que participa dos eventos, cumpre com seus compromissos e que tem o olhar lá na frente, pensando em seus objetivos com a dança e como fazer para alcançá-los de uma forma honesta e digna. É ser tranqüila ao perceber que o estudo não pára nunca, que sempre virá um desafio novo e que tudo isso é uma delícia.

9 comentários:

  1. Oii Rhazi!

    Realmente é complicado. Minha professora diz o mesmo, que depende muito da aluna, da professora, enfim, depende de vários fatores..
    E quem pensa que com pressa irá aprender melhor está muito enganado, né?

    Beeijos!

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  2. É verdade Ná! O que resta é sempre estar com pessoas sensatas que não passam à frente mentiras absurdas! beijoooooooooooo

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  3. Rhazi, amei !!! A parte de faculade de dança do ventre, já pensou !!!! rsrsrs AMEI esse trecho !!! : "Sobre os métodos, devemos nos ater ao fato de que a Dança do Ventre, dentro dos catálogos da Dança, é uma dança popular e uma dança de apresentação. Então, ela não segue padrões rígidos de ensino, pois ela se transforma a cada época e dentro de cada cultura."
    Um beijo enorme, seu blog tá lindo!

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  4. Oi Mariana!
    Nossa, a faculdade de dança seria um sonho né? Dependeria da destruição de estruturas rígidas que temo hoje e da real união de todas as bandeiras em prol de algo maior... mas, como diz a música: "sonhar... não custa nada..." um beijo Mari!!!

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  5. É por tal profissionalismo e seriedade que pretendo ser aluna do espaço.

    Tentei no início do ano, mas tive alguns problemas... seDeus quiser até ofinal do mês dará tudo certo =]

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  6. Adorei seu texto. A gente fica inventando coisas pra tentar deixar a dança do ventre com cara de coisa séria, mas enquanto tivermos tantas profissionais tapadas atuando no mercado de forma inconsequente, continuaremos com status de dança de show de despedida de solteiro. E parte dessa mudança começa na sala de aula com discussões sérias sobre ética e valorização da arte, ao invés de valorização de um pedaço de papel.

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  7. Antes de mais nada, seu blog tá lindo mesmo... Qto a discussão iniciada, como foi dito, por ser uma dança popular, sem uma estrutura linear como o Ballet ( sem desmerecer, é uma dança fantástica! ), cada cabeça tem uma sentença nestes casos. E vai além do bonito, liga-se ao ego, a vaidade. Ninguém quer dar o braço a torcer, qdo se fala em unificar as falas, e tentar organizar uma estrutura para a dança do ventre, mas há uma certa vontade (ainda tímida) em mudar. Enqto continuarmos valorizando o papel (q aceita tudo) e deixarmos de lado o estudo, o esforço e a prática, continuaremos remando contra a maré, nesta busca "desorientada" pelo reconhecimento.
    É isso. Bjs Letícia

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  8. Oi Lory! Que bom que passou por aqui, com suas super reflexões que tanto colaboram com o nosso meio! É, realmente na sala de aula é que começa muita coisa. Ai se todas refletissem sobre a própria responsabilidade não é???
    beijos pra ti!!!

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  9. Oi leeeeeeee Como boa pedagoga, vc conhece muito bem o sentido da palavra "compartilhar" e "unificar" e deve ficar passada (assim como eu) com a dificuldade em colocar em prática estas duas palavrinhas tão simples né? beijos beijos, obrigada pela visita!

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Mulher de Fases