domingo, 28 de março de 2010

Divagações sobre concursos: Categoria profissional




Quando sou jurada em concursos, logo penso no que escrever naquelas linhas que me aguardam. Procuro colocar as críticas, mas sempre enfoco o caminho mais ideal: “estude mais isso, estude mais aquilo..., vá em frente...”... daí me pergunto: será que as pessoas querem MESMO estudar? Será que, por detrás de toda aquela gana para participar do concurso, não houve um cuidado na escolha da música, na leitura de seus instrumentos, se sua técnica estava apurada, como seria sua comunicação com o público? Ou a preocupação era só.... ganhar????

Acho que para as meninas do infantil até o amador é mais tranqüilo, pois há alguém orientando, ou seja, a professora, que vai pegar aquela avaliação e (esperamos que) vai fazer algo com aquilo.

Quando a bailarina compete na categoria profissional, aí começa o enrosco. Pois, muitas vezes ela é professora, deixou de estudar, ou estuda com alguma “superfamosa” que não acompanha suas pupilas ou muitas vezes, nem sabe que a menina está ali. Mas a “menina” sobe no palco com a cara e a coragem.

A roupa ta linda, música escolhida, coreografada e lá vamos nós...

Todas sabem que sou a favor de concursos como crescimento pessoal e profissional por isso, eu realmente quero que todas se dêem bem lá no palco, que consigam mostrar o melhor de seu trabalho até aquele momento.

Eu não sei em qual momento a profissional deixa de ouvir as críticas, em qual momento ela deixou de ter alguém que a oriente em qual momento ela só pediu opiniões “confortáveis” : família, alunas, e outros.

Quanto mais orientadas, mais seguras podemos subir no palco. Mas, ultimamente vejo meninas começando cada vez mais cedo suas carreiras e totalmente sem orientação. E o resultado em cena, muitas vezes é complicado: rostinhos assustados, falta de confiança, falta de leitura da música, de comunicação... ou seja, falta ser ARTISTA.

E, não posso deixar de citar, já vi também, pessoas que não “seguram o resultado” ou seja, lindas no palco, mas, fora dele não conversam, não trocam, não saem da casca, não são elas mesmas, estas sim, à sombra de alguma professora famosa. Uma pena... estavam tão lindas lá em cima....

Quis escrever algumas linhas que, longe de mim serem “mandamentos” ou “regras” são apenas algumas dicas do acho interessante em termos de preparo e reflexão para quem quer ir para concursos na categoria profissional:

1. Agora que você é profissional, faça o seguinte: conheça claramente o que é um kannoum, um alaúde, uma flauta, um nay, um dâff, um acordeom. Amplie além do derback.
2. Reconheça um said, um khallige, um zaar quando eles entrarem na música e execute-os!
3. Escolha concursos que você já assistiu;
4. comece em concursos nos quais você ficará mais tranqüila;
5. Sempre escolha concursos que você respeita pelo menos 70% da banca (impossível gostar de todo mundo);

6. Escolha um clássico para sua apresentação: deixem as músicas pop e infantilizadas para o infantil ou juvenil; Solo de derbacke, escolha se for o seu forte, se você for realmente boa; Dica de ouro: fuja de “chic chac choc” ou das músicas das Superstars ou véu wings da vida. Jurado não se impressiona com musiquinhas alegrinhas ou efeitos cênicos, querem ver é dança, querem alguém que os emocione, que os encante;
7. Reconheça o que a música tem a dizer, o que cada “bloco” da clássica pede em termos de interpretação, movimentos e uso do espaço;
8. Verifique os momentos de introspecção, comunicação, explosão...
9. Coreografada ou improviso? O que você se sentir melhor!!! Mesmo com todo mundo coreografada, se você tiver um bom improviso, com bom nível técnico, boa musicalidade e comunicação, não tem pra ninguém!
10. Procure pelo menos uma orientação profissional séria para lhe falar sobre seu solo; É caro Rhazi? Olha o investimento na carreira....
11. Na hora do resultado: ganhou? Faça festa, é seu momento! Desceu do palco, tenha humildade, cumprimente as colegas, abrace a mãe, beije o namorido, pegue suas notas, leia com atenção. Se não entendeu algo, entre em contato com o jurado, ele vai gostar de explicar mais detalhadamente o que escreveu. É sinal de respeito pela banca.
12. Na hora do resultado: perdeu? Aplauda as vencedoras, retire suas notas e siga os mesmos passos acima.
13. Cuidado com a filosofia “o problema nunca sou eu”: escuto há anos profissionais dando desculpas para o seu “não sucesso”, como: eu nunca dou sorte com jurados, esse sistema de avaliação é péssimo, esse concurso já foi melhor... aí, só terapia resolve;
14. Participou, gostou, continue, se aprimore.

E, última e não menos importante:

Participou, não gostou, pare com os concursos, pelo menos até se sentir mais preparada. Não vire mais uma “amargurada do ventre” que vira arroz-de-festa em concursos, não ganha e sai falando mal do trabalho de todo mundo: de quem fez o evento, dos jurados, das “concorrentes”, do tempo, da moça do crepe, enfim... seja um elo para o crescimento e não mais uma que reclama da vida. Lembre-se sempre: a superação é sempre de você mesma.

A Dança do ventre não é só concurso, tem muita coisa a desbravar e, com certeza, se você ama mesmo a nossa arte vai achar algo que realmente lhe completa.

Pra mim valeu como bailarina solista durante um bom tempo. Já ganhei, já perdi. Quando não valeu mais, parei. Hoje, oriento minhas alunas e dou consultorias. Como bailarina, às vezes participo como integrante de grupo.

Como saber se você leva jeito pra concurso? Se chegar em casa, com troféu ou sem troféu, pensando somente em você, tenha percebido que valeu a pena o que viveu e que valerá a pena se preparar para o próximo.

Beijos beijos

8 comentários:

  1. Oii!

    Amei seu post Rhazi!
    Realmente essa questão de concurso é bem delicada. Tem que ter cabeça, responsabilidade, porque afinal o que importa é participar, é o crescimento pessoal e profissional, é a experiência adquirida.

    Beijinhos!
    Feliz Páscoa!

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  2. Rhazi !!! AMEI !!! Não só por estarmos em época de MP !!! Mas, por, de uns anos para cá, ter crescido de forma tão ampla o número de festivais de dança, de concursos... Este post é para ler e pensar !!! Beijos enormes Mari

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  3. amadaaaaaaaa.......pura verdade!!!!
    q linda...além de dançar maravilhosamente bem, ser linda, doce, amiga....ainda escreve!!!!
    q orgulhosa eu to......amiga do bem!
    bj no coração
    Danna Gama

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  4. Oi Natasha e Mari, tudo bem? Obrigada pelos comentários, a idéia é essa, incentivar a galerinha a pensar nessas coisas, não apenas sair por ai dançando, muitas vezes de forma até irresponsável...
    Danna... eu amooo escrever, graças à tecnologia, agora podemos nos expressar através dos blogs, né? Obrigada pelos elogios, vc é que é maravilhosa! E vamo que vamoooooooo

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  5. Rhazi, adorei esse post. Aqui em Salvador, os concursos estão começando a acontecer agora. Participei de um deles, na categoria amadora. Não fui pra ganhar, mas pelo desafio. Acabei em terceiro lugar, mas, sinceramente, não me senti acressida de nenhum novo conhecimento com isso. Não pretendo repetir a experiência pq achei tudo vazio de sentido. Prefiro dançar pra minha professora ver, olhar e fazer a minha direção artística. Cresço muito mais assim. Mas achei suas dicas importantíssimas. Devia ter as lido antes do Bahia Orient Festival... rs! Bjos.

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  6. Oi Lory!!! Acho que o importante é isso: viver a experiência, ver o que cabe para cada uma, dentro da sua verdade, dentro da sua personalidade e tocar a vida não é mesmo? que bom que gostou do texto, obrigada por passar por aqui também, eu também sempre passo no seu blog! beijooooooooo

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  7. Oi Rhazi, aqui é a Suheil! Descobrí seu blog, vim te visitar, adorei e já estou seguindo! Passa lá pra conhecer meu blog também! Bjks

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  8. Oi Suheil! Obrigada pela visita! Vou passar lá no seu também!! beijos beijos

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Mulher de Fases